Inserir e debater as questões étnico-raciais na escola é um grande desafio, para tanto, são necessárias revisões das abordagens construídas nas unidades escolares. Desde a Educação Infantil, abordar temáticas que evidenciam as culturas áfricas e indígenas torna-se uma problemática. Isso ocorre porque ao longo da história do Brasil tanto os negros quanto os indígenas têm sido discriminados. Além do conhecimento de outras artes, culturas e etnias, os estudos étnico-raciais devem ser incluídos no currículo para que o alunato possa identificar casos de discriminação e combatê-los. Dessa forma, a educação traz condições para o cidadão igualdade de condições, respeito das diferenças e também a possibilidade das variadas formas específicas de se existir (Silva, 2015).
De acordo com Silva (2018) diversos estudos demonstraram que nas unidades escolares há relatos de experiências de racismo, assim como, expressões para desvalorizar pessoas negras, dessa forma, adjetivando-as como inferiores, violentas, indolentes e perigosas. Há estudos que confirmam a associação da pobreza e ser negro, e ainda, estudos que evidenciam o uso de estereótipos raciais, oriundos de apelidos e ofensas. No âmbito escolar este tipo de violência ocorre em diferentes níveis de escolarização, desde a Educação a Educação Infantil.
De acordo com Silva (2022), pode-se considerar o uso da arte como ferramenta criativa no ambiente escolar durante o processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, pode-se incorporar nos processos formativos a luta antirracista e decolonial. Por meio do criar e sentir artístico se pode aprender sobre a ancestralidade na escola, visto que, a criação artística é um meio qualitativo de se lembrar de algo, criar maneiras educacionais, consciência subjetiva, além de evidenciar as lutas contra a opressão e o racismo.
Ainda segundo a autora, “colonialidade” é uma lógica fundamentada na desumanização de certos sujeitos, parte-se para isso fatos históricos como o processo de escravização e a colonização das Américas. Em contrapartida a “decolonialidade” confronta a colonialidade, pois desprende do conceito a possibilidade de criações de mundos onde diversas sociedades distintas podem existir, sendo aceitas concepções de tempo, espaço e subjetividade diferentes.
O adjetivo afro-brasileiro se refere a algo ou alguma coisa que pertence simultaneamente à cultura africana e também a cultura brasileira, e ainda, alguma coisa mesclada das duas culturas (Michaelis, 2024). Neste sentido, o grafismo pode ser considerado um dos ícones da cultura afro-brasileira, indígena e afro-indígena. (Souza e Pacheco, 2013).
Por meio de grafismos é possível explorar os signos e temas que reforçam os valores africanos e também da construção da cultura afro-brasileira. Os grafismos podem se dar por meio de “figuras rupestres, orixás, mandalas, e a geometrização de elementos, fundindo o figurativo ao abstrato, tendo a cor como recurso essencial”. Os grafismos podem expor elementos das tradições, ideias, valores e crenças herdados. Portanto, ao se explorar temas africanos e afirmar os valores imbuídos, traz-se à tona a ancestralidade presente ali (Campos, 2014).
Abaixo, Souza e Pacheco (2013) exemplificam grafismos afro-indígenas através da arte de Renato Vieira.
Portanto, a arte afrodescendente teve um processo cultural dinâmico e integrado à ancestralidade. Buscou-se o tempo histórico um caminho para se entender tantas formas de manifestação artísticas e culturais. É importante ressaltar a África enquanto “Áfricas”, ou seja, local de diferentes línguas, culturas, hábitos, religiosidade e variedade de identidades locais, mesmo aquelas que foram se adaptando e alocando-se ao longo do tempo. Reitera-se deve-se fugir de uma visão de África totalmente igual. A estética africana expressa formas de resistência, manutenção de identidades, possibilidades de criação de outras identidades não apenas africanas, mas também afro-brasileiras (Campos, 2014).
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Referência das imagens
https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/Portals/1/Images/DRE_santoamaro/42984.jpg


